A Lua

A Lua é difícil de passar despercebida quando está no céu a noite.

É grande e brilhante e realmente bonita.

Ainda mais legal, é o  objeto astronômico mais perto de nós no Universo, e discutivelmente, o que nós conhecemos melhor.

Milhares de luas

Odeio dizer isso a você, mas nós humanos somos bem egoístas.

Apesar de existirem mais de 160 luas de tamanhos razoáveis no nosso sistema solar, nós chamamos a nossa de "A" Lua, com um L maiúsculo, como se fosse a única, ou a mais importante.

E eu acho que para nós ela é a mais importante.

Ela é apenas a quinta maior lua no sistema solar em tamanho absoluto, mas comparado com a Terra ela é bem grande. Um quarto inteiro do diâmetro do planeta.

Essa é uma proporção muito maior que qualquer outra lua orbitando um grande planeta no sistema solar.

Nos números, a Lua possui cerca de 3470 km de diâmetro, e está em média cerca de 380.000 km da Terra.

Isso significa que ela parece grande no ceú, mas provavelmente não tão grande quanto você pensa.

Quando a lua nasce, ela pode parece enorme e perto no horizonte, como se você pudesse cair nela.

Ah, mas não é bem o caso. É fácil demonstrar que ela está do mesmo tamanho no horizonte do que está acima da cabeça.

Ainda assim as pessoas pensam que parece duas vezes maior quando está no horizonte!

Essa é a bem conhecida Ilusão Lunar, e é devido a dois fatores: como nós percebemos o tamanho dos objetos, e como nós percebemos o céu.

Nós não vemos o céu como um hemisfério acima de nós, mas mais como uma tigela achatada, como o horizonte bem mais longe que o zênite.

Então quando a Lua está no horizonte, nosso cérebro é convencido que ela está mais longe.

Mas se ela está mais longe, deve ser fisicamente maior para aparecer daquele tamanho, certo?

Então nosso cérebro interpreta o tamanho da Lua com se fosse ENORME.

É uma ilusão, mas uma bem convincente.

Nosso satélite é muito menor do que você pensa.

A estrutura interna da Lua é mais ou menos parecida com a Terra. Ela tem:

  • Um núcleo interno de ferro sólido; 
  • Um núcleo externo 
  • Um manto espesso, 
  • Uma crosta com material leve em cima.

O núcleo é pequeno, provavelmente uns 350 km de raio, e ainda sim quente, entretanto não tão quente quanto o núcleo da Terra.

O manto inferior pode ser um fluído espesso, mas diferente do manto da Terra a parte superior é sólida.

Crateras e mares

A parte mais fácil da Lua para observar é a superfície, então claro que nós sabemos mais sobre ela.

O lado mais próximo, o lado que nós vemos da Terra, é dividido em dois tipos de regiões distintas: planaltos, que são cheios de crateras, e maria - Latim para "mares" - que são mais escuras e mais lisas.

As crateras nos planaltos são de incontáveis impactos vindos de asteroides e cometas.

Pedras dessas regiões foram datadas em bem mais de 4 bilhões de anos - quase tão velha quanto a própria Lua.

Os mares, por outro lado, não possuem tantas crateras.

Eles são mais jovens mas isso é relativo. Rochas dessas áreas parecem ter cerca de 3 a 3,5 bilhões de anos na média.

Os mares são feitos de material basáltico mais escuro, o que significa que eles provavelmente se formaram da inundação de lava de áreas mais antigas.

Na maior parte da história humana, o lado mais distante da Lua estava escondido de nós, mas em 1959 a União Soviética  mandou a sonda espacial Luna 3 ao redor da Lua, fotografando o lado oculto pela primeira vez.

Todo mundo esperava que ele se parecesse com o lado visível , mas chocantemente, era vastamente diferente.

Não havia quase nenhum mar! Isso é estranho; o lado visível é coberto deles.

E não apenas isso, observações subsequentes da sonda lunar mostrou que a crosta no lado oculto da lua é mais espessa do que no lado visível.

A Lua está começando a acumular mistérios. Por que ela é tão grande comparada com a Terra?

Por que o lado visível e o lado oculto são tão diferentes?

Acontece que a composição da crosta possui muitas semelhanças com a Terra, mas também muitas diferenças. Por quê?

Acontece que as respostas para essas perguntas estão ligadas a como a Terra se formou há 4,5 bilhões de anos.

A formação da Lua

Muitas ideias foram propostas para descobrir como a Lua se formou, mas a melhor atualmente é chamada de hipótese do Grande Impacto.
Quando o sistema solar se formou, haviam muito mais objetos orbitando o Sol do que há hoje.

Esses objetos de tamanhos variados desde grãos de poeira a objetos do tamanho de planetas, e isso significava que haviam muitas colisões.

Sem dúvida a Terra sofreu muitos impactos. Mas um aconteceu tarde na história da Terra, relativamente falando, cerca de 50 milhões de anos depois que as coisas começaram se acalmar.

Um planeta do tamanho de Marte, dado o nome não oficial de Theia, se chocou com nosso jovem planeta, mas não foi um impacto em cheio. Foi um impacto de raspão.

O impacto foi colossal, arremessando grandes quantidades de material dos dois planetas para o espaço.

A maior parte veio das camadas externas da Terra, já que foi uma colisão de raspão.

Esse material rapidamente se uniu para formar a Lua, e isso explica porque há algumas semelhanças mas não total em composição com a Terra. Ela costumava ser parte da Terra.

Mas uma parte dela veio do outro planeta, também.

E nós podemos ter evidências disso. Algumas rochas da Lua mostram uma relação peculiar de diferentes tipos de átomos de oxigênio, chamados de isótopos.

É possível que parte dos isótopos mais exóticos vieram do outro planeta.

Na verdade, essa ideia existe por muito tempo, desde as missões da Apollo em 1970.

Há bastante evidência para apoia-la, também.

Mas uma nova versão dela vai mais longe.

Quando a Lua se formou dos destroços da colisão, estava perto da Terra, provavelmente, 20.000 km de distância.

A colisão foi tão violenta que derreteu completamente a Terra, e a Lua foi derretida também.

Forças de maré rapidamente sincronizaram a rotação da Lua e o período orbital, fazendo que um lado sempre tivesse voltado para Terra.

Se você estivesse naquele lado da Lua, a Terra dominaria o céu, aparecendo 80 vezes maior do que a Lua aparece hoje.

E a Terra estava quente. Ela estava lá como um forno alto, e teria esquentado o lado visível da Lua.

O lado oculto estaria muito mais frio.

O material no lado visível teria vaporizado, e boa parte dela teria condensado no lado oculto.

Com o passar dos anos, isso criou a crosta mais espessa que vemos hoje.

Mais tarde houve também outro evento terrível: o Intenso Bombardeio Tardio, um período de intensa colisão com cometas do sistema solar exterior, provavelmente estimulado pelo movimento dos planetas externos.

Essa chuva de milhões de cometas deixou cicatrizes em todos os planetas interiores, incluindo a Lua.

Isso foi quando a formação da maioria das crateras ocorreram.

Algumas dessas colisões foram massivas, deixando enormes crateras na Lua.

Mais tarde, lava irrompeu através das falhas na superfície da Lua, inundando essas crateras, criando os mares que nós vemos hoje.

Ah, mas a crosta do lado oculto era mais espessa. Impactos lá não conseguiram chegar tão fundo, e era mais difícil da lava quebrar e irromper.

Isso explica porque há poucos mares lá.

Essa ideia que a Terra cozinhou a Lua e formou as anomalias na crosta é bem nova, e ainda está sendo discutida. Há também outras hipóteses competindo.

Conforme nós coletamos mais evidências, eventualmente nós entenderemos melhor o porque a crosta da Lua é tão estranha.
Lado visível e lado oculto da Lua
Depois de tudo isso, eu tenho que dizer: é um pouco injusto dividir o superfície lunar hoje em apenas planaltos e mares.

Por exemplo, crateras são muito diversas. Algumas são pequenas e com simples formato de tigela.

Outras são enormes, duzias de quilômetros ou mais de largura, pontuadas com um pico central, uma montanha no meio que se formou do material do gigante impacto que o formou jogado de volta no meio.

Crateras duplas são comuns também, provavelmente formados quando asteroides binários atingiram a Lua.

Há também cadeias de crateras: longas linhas de pequenas crateras que podem ter sido formadas quando grandes impactos próximos lançaram jatos de matéria.

Raios são comuns em grandes crateras, também.

Essas extremamente longas "marcas de respingo"  apontando radialmente para fora dos impactos, provavelmente se formaram quando plumas de matéria foram ejetados.

Alguns dos mais luminosos são da cratera Tycho no hemisfério sul da Lua, e eles se estendem por 1500 quilômetros.

O material é um pouco menos reflexivo que os terrenos arredores, então eles aparecem luminosos em contraste, e são uma das mais notáveis características visíveis perto da época de Lua Cheia.

E há muito mais!

Longos e sinuosos canais como leitos de rios serpenteiam através de sua superfície,  na verdade locais de fluxo de lava antigos.

Há também tubos de lava, onde o topo de um fluxo de lava esfriou e formou um túnel no qual lava podia fluir por grandes distâncias.

As vezes o teto, como é chamado, desaba e forma uma claraboia, e nós conseguimos ver dentro do  túnel que de outro modo estaria escondido.

Há também penhascos, montes, vulcões antigos e mortos, até cadeias montanhosas!

Não há atividade tectônica na Lua, mas cordilheiras formadas na ponta de grandes impactos, onde as enormes forças liberadas empurraram as rochas para a borda da cratera.

Existe água na Lua?

E novas observações mostram que há algo a mais na Lua: Água.

Profundas crateras perto dos polos da Lua há chão que nunca viram a luz do Sol.

Impactos de cometas podem distribuir água por toda a Lua, mas a maior parte dela é destruída pela luz solar.

Mas ela pode coletar nessas crateras escuras, e estudos mostram que pode haver mais de um bilhão de toneladas de água lá em forma de gelo.

Isso seria um enorme benefício para colonização; água é pesada e bem cara para transportar da Terra.

Se já estiver na Lua, facilitaria muito colocar pessoas lá.
Do jogo Cities: Skyline
E isso está no nosso futuro, eu não tenho dúvidas.

Nós estamos começando a levar a sério sobre voltar à Lua.

A NASA possui planos de retornar, e outros países como a China e a Índia estão olhando para a Lua também.

Não é uma questão de se, mas de quando.

E pode ser breve - tão breve que, eu apostaria, há uma boa chance de que a próxima pessoas a pisar na Lua já está viva.

Talvez algum estudante adolescente em algum país está agora se interessando em ciência, matemática, engenharia -um interesse que um dia levará a outro gigante salto para a humanidade.

Resumindo

Hoje você aprendeu que a Lua com L maiúsculo é uma lua com l minúsculo.

É grande comparada com a Terra, e supostamente se formou quando um pequeno planeta se chocou de raspão com a Terra.

Possui várias crateras, e há enormes planícies inundadas nela chamadas de mares.

Há água lá, também, apenas nos esperando descongelá-la e bebê-la.

Continuação:

Mercúrio

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